
Eu, sentada no último banco e o sol no meu rosto. O trânsito estava uma merda e o ônibus cheio. Sem dúvida, não era o que eu esperava de uma terça-feira à tarde. Ela também estava sem paciência e passava pelas pessoas com a delicadeza de um cavalo dando coice. Foi ai que o fofíssimo do motorista resolveu –por diversão ou esporte- avançar o sinal e frear bruscamente.
Adivinha. Sim, ela caiu. Caiu como banana podre dentro de um ônibus cheio. E num foi um tombinho do tipo que todos riem, foi um senhor tombo em que você sente a dor com a pessoa. Sabe o que é todo mundo olhar pra uma só? Pois foi pra ela que todos olharam. Eu já estava no meu limite de cansaço, preguiça, mal estar e agora isso. Ela ia ter que ir pro médico as pressas e isso e aquilo. Mas, como se quisesse me lembrar o quanto a vida é boa, ela deu uma gargalhada linda.
Foi ai que vi o quanto ela é radiante. Lembrei de nossas madrugadas na praia, das vezes que choramos por outros amores, das tentativas de sorvete, dos olhares que eram código. Tudo num segundo, num instante, mas representando um longo amor. Um amor que agora está diferente. Somos mais que boas amigas.
Como se quisesse me trazer de volta daquela viagem em recordações, a senhora ao meu lado em deu uma cotovelada:
- Ela ri como se estivesse em casa. Não se tem mais respeito aos outros! Ela esbarrou no moço careca, caiu e agora ta rindo no chão. Já viu uma coisa dessas?
Eu, ainda com um sorriso bobo, só consegui responder:
-Já vi, sim. Ela é minha namorada.
Um comentário:
As melhores lembran�as s�o aquelas bem bobas que fazem a gente pensar em como a vida � boa.
Momentos que fazem a gente esquecer qualquer problema.
Tipo esse.
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