
Não consigo dormir. Nunca tinha reparado o quão desconfortável é essa cadeira. Tá, talvez o simples detalhe de não conseguir movimentar-me esteja me deixando mais chata e, por tabela, mais observadora e rigorosa. O fato é: nunca encontrei quem afirmasse ser agradável dormir numa cadeira.
Estou aqui, às 04:10 da madrugada, com uma tremenda dor nas costas que, por não conseguir identificar o problema e não ter cacife para tal, chamarei de dor muscular. Concordem comigo: não tem coisa pior que passar a noite planejando o dia seguinte e, ao acordar, perceber que seu corpo não está acompanhando o entusiasmo de sua mente. Aí você tenta, embora sem muito sucesso, convencer sua mãe a deixar a praia pra outro dia; pega sua agenda de telefones (Sim, agenda. Por fatalidade do destino seu celular não tem visor.) e desmarca um jogo de fim de tarde, que tinha tudo pra ser agradável, com pessoas que você não vê há tempo suficiente pra sentir saudade; perde o pouco tempo que tem com a pessoa amada se queixando da maldita dor, quando poderia relaxar e aproveitar a companhia. O popularmente conhecido "dia de cão".
Numa tentativa desesperada de me distrair, ligo a televisão e o que está passando? Algo sobre os jogos Parapan-americanos. No auge da minha nóia, penso ser um sinal. Será que a dor que estou sentindo vai me deixar inválida como esses atletas? Chego a roer as unhas de angústia.
Passado o momento de crise, começo a pensar. É muito amoral da minha parte me queixar de uma dorzinha que, com certeza, vai sumir em um ou dois dias, enquanto pessoas têm a certeza que vão passar o resto de suas vidas em cima de uma cadeira e, mesmo assim, não se deixam abalar. Nunca parei pra assistir o Pan e não vou dar uma de falsa moralista e falar que o Parapan me interessa, mas é a dmirável o esforço desses atletas pra vencer diante de mais uma dificuldade. Acho que preciso mudar meu conceito de invalidez. Talvez eu seja um pouco inválida...no pensamento.
Bom, pelo menos minha cadeira tem rodinhas. Acho que agora eu consigo dormir.
3 comentários:
Caraaaaaa, é incrível..
Incrível como vemos em momentos pequenos o grande da vida.
O grande? o que é o grande? e o pequeno? é.. o que é pequeno?
E ei, espera! espera! O que é essencial? é relativo? ou é uniformemente heterogênio? :S
Ou! ele é igual? estável? completo? imcompleto? Não sei..
Ao menos a minha cadeira também tem rodinha, posso continuar a ver a vida passar como uma covarde, que talvez tenha medo de se machucar.
Ai, como � dram�tica a pessoa. Cheia das n�ias, cheia mesmo! Todo mundo tem o dia de c�o, todo mundo tem uma vontade de que aquilo passe logo... normal, oh.
Pelo menos rendeu um texto. E, espero, um novo dia menos dolorido.
Fora q eu reclamo de tudo? É, tem momentos que vejo o lado bom da vida. Momentos.
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